As Duas Alianças – 26 de novembro a 3 de dezembro
Deus nunca esperou que o homem tomassem a iniciativa no processo salvífico, nem tão pouco que este por méritos próprios alcançasse a salvação:
Gênesis 3:9 – “E chamou o Senhor ao homem e lhe perguntou: Onde estás?”
I João 4:19 – “ Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro”
João 15:16 – “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda”.
Efésios 2:8 e 9 – “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.
Ao relatar a respeito de duas alianças Paulo não está dizendo que Deus em termos soteriológicos proveu duas alianças. A aliança salvífica de Deus para o homem sempre foi respaldada pela dicotomia graça e fé.
Vejamos:
Aliança Edênica ou Adâmica – Gênesis 3:15 = Foi pela graça de Deus e a fé que permitiu a atividade desta graça que os casal edênico não foi destruído;
Aliança Noética – Gênesis 6 e 7, Hebreus 11:7 = Mais uma vez a graça de Deus entra em ação, Noé pela fé respondeu positivamente e juntamente com sua família foi salvo;
Aliança Abraâmica – Gênesis 17:2 e Hebreus 11:8 = Deus pela sua graça convidou Abraão pela fé aceitou o convite;
Aliança Sinaítica ou Mosaica – Êxodo 19:4; 20:2 = A graça de Deus liberta seu povo do escravagismo egípcio.
Outros citam também aliança davídica onde Davi seria o Rei de Israel e construiria o santuário onde Deus habitaria com Seu povo.
Apesar destas diversas alianças, todas fazem parte da aliança da graça de Deus.
Paulo em Gálatas fala em duas alianças, o mesmo ele apresenta na carta aos Hebreus. Em Gálatas estas alianças são referidas à Agar e Sara, já em Hebreus essas alianças são chamadas de Nova Aliança e Antiga ou Primeira Aliança (Hebreus 9:15).
O problema que motiva Paulo escrever sobre as alianças usando como alegoria Agar e implicitamente Sara só pode ser compreendido à luz da ênfase dada pelos cristãos judeus à lei em detrimento da pessoa de Cristo.
Observa-se que os judeus falharam em suas interpretações Soteriológicas, ao enfatizar a obediência sobrepujando a fé, como falharam Missiologicamente ao transmitir seus devaneios teológicos, e o mais agravante, falharam ao rejeitar o Messias . É exatamente em virtude disto que Deus transfere os privilégios e responsabilidades para a igreja cristã (Mateus 21:43). Não foi a aliança instituída por Deus que falhara, mas sim, a aliança por parte do homem, afinal de contas, a salvação de Adão até hoje permanece pela graça por meio da fé.
Domingo 27 de novembro
Princípios da Aliança
A forma como Deus efetua Sua decisão eterna de salvar a humanidade é por meio de alianças divinas no tempo. Embora a Bíblia fale de alianças no plural (Rm. 9:4; Gl. 4:24; Ef. 2:12), há na Escritura somente uma aliança básica de salvação.. Ela tem caráter promissivo – as bênçãos e a salvação divina são oferecidas por Deus, Não obtidas por méritos humanos – mas espera uma resposta de fé da humanidade.
Há alguns princípios norteadores desta aliança, elas se dividem em duas características principais, 1 –Características objetivas ou Princípios objetivos, 2- Características ou Princípios subjetivos:
1- Características ou Princípios Objetivos da Aliança:
a) É Deus, o designador, e não o homem, o beneficiário que faz o testamento, ou que tem a inciativa de fazer a aliança (Ef. 2:8 e 9; Is. 63:3-5);
b) Morte do testador. O sacrifício do testador (Jesus Cristo) serve para que os homens pudessem permanecer na justiça dEle, e Ele na condenação dos homens (Is. 45:24 e 53:11; II Co. 5:21; I Pe. 2:24);
c) A herança do testamento ou aliança. A promessa que é feita, a saber, a salvação, tem o propósito de reconciliar o homem com Deus (Gn. 17:7).
d) A eternidade da herança. Em Levíticos 2:13 é utilizado a figura do sal, significando a preservação da aliança, e em I Crônicas e Salmo105:8-10 evidencia o fato de que Deus está atento à Sua aliança perpetuamente;
e) O símbolo confirmatório. A demonstração visível do testador cumprir com o que prometeu, se dá através da vida, morte (sinais de humanidade) e ressurreição, vitória de Cristo sobre a sepultura, garantia de Sua divindade (Rm. 1:4) e justificação (Rm 4:25).
2- Características ou Princípios Subjetivos da Aliança:
a) A mais básica e imutável de cada manifestação da aliança é a fé. Sem fé o homem não pode agradar a Deus (Hebreus 11:6). A fé se é genuína deve ser demonstrada por obras de obediência (Tg 2:14-16). Por sua vez, a obediência é vista em duas características componentes:
- i. Obediência moral – resposta dos homens aos padrões éticos revelados por Deus. Esses padrões éticos são extraídos nos ensinos (João 1:18) e exemplo pessoal de Cristo (I Pedro 2:21 e I João 2:6), e por último na legislação apresentada e escrita por Deus no Monte Sinai (Marcos 2:19 e Romanos 3:9);
- ii. Obediência Cerimonial – Batismo e Santa Ceia, estas descrevem figurativamente a obra de Cristo, na qual o pecador confia numa substituição por sua própria vida de falha, e como comemoração da obra passada de Cristo que na sua atemporalidade tem sua atividade permeando o presente.
Segunda 28 de novembro
A Aliança Abraâmica
A aliança abraâmica é fundamental para todo o curso da história da salvação. Ela foi repetida a Isaque (Gn. 26:3-24) e a Jacó (Gn. 28:15 e 35:12). A família hebraica serviriam como recipientes da redenção e como comunicadores a todos a todas as nações da terra (Gn 22:18). Destaca-se três elementos interessantes da aliança abrâmica:
1- Descendência numerosa (Gn 12:2 e 13:16);
2- Desta descendência viria o penhor e testador da aliança, o Messias (Gn. 22:18);
3- A posse da terra de Canaâ (Gn. 12:7 e 13:15).
Uma família que proporcionaria bênção para toda a humanidade. Mas a graça de Deus para poder entrar em atividade no coração humano, precisa de fé. Deus conhecedor do coração e impaciência humana, verificando a inclinação de Abraão para tomar em suas próprias mãos o problema do seu descendente, quando este propõe que seu servo seja o herdeiro da promessa, aconselha-o e mostra-lhe que o herdeiro seria filho de seu próprio sangue.
Tempos mais tarde, preocupado e inseguro quanto ao cumprimento da promessa feita por Deus, Abraão e sua esposa Sara desenvolve executa um plano que além de evidenciar a verdadeira inclinação natural da raça humana (duvidar de Deus) traria consequências inimagináveis para a sociedade, um conflito que tem transcorrido as linhas do tempo, Ismael (árabes) versus Isaque (judeus).
Terça 29 de novembro
Abraão, Sara e Hagar
Depois de esperar por longos dez anos, presenciando a evolução de sua velhice, a cada dia contemplando a diminuição das possibilidades de se ter filhos, ou pelo menos um, Abraão e Sara chegam ao consenso de que ele teria o filho prometido com sua serva Hagar. Esta prática era natural nas sociedades da época. Entretanto, primeiro, nem tudo que é legal é moral, segundo, nem tudo que é moral e legal, constitui atitudes corroboradas por Deus. Sem dizer que quem havia prometido fora o próprio Deus.
Nesta atitude de Abraão e Sara encontramos a disposição do homem em resolver um problema que só pode ser resolvido por Deus.
“Abraão aceitara sem pôr em dúvida a promessa de um filho, mas não esperou que Deus cumprisse a palavra no tempo e maneira que Ele o entendia. Foi permitida uma demora para provar sua fé no poder de Deus; mas ele não pôde suportar a prova. Achando impossível que lhe fosse dado um filho em sua avançada idade, Sara sugeriu, como um plano pelo qual o propósito divino poderia cumprir-se, que uma de suas servas fosse tomada por Abraão como segunda mulher. A poligamia se tornara tão espalhada que deixara de ser considerada como pecado; mas nem por isso deixava de ser uma violação da lei de Deus, e era de resultado fatal à santidade e paz na relação da família. … Se bem que fosse pelos rogos encarecidos de Sara que ele desposara Hagar, ela o censurava agora como o faltoso. Desejava banir sua rival; mas Abraão recusou-se a consentir nisto; pois Hagar seria mãe de seu filho, como ele ansiosamente esperava, o filho da promessa”. MM 2002, Cristo Triunfante , p. 81.
Quarta 30 de novembro
Hagar e o Monte Sinai
Enquanto que Ismael era filho de escrava, o outro era filho do senhor, Ismael nasceu do curso natural, da carne, já o nascimento de Isaque se deu de forma sobrenatural, ele veio da promessa.
Quando o apóstolo Paulo em Gálatas 4:22 a 24 se refere às duas alianças, ele mesmo afirma que é uma alegoria quando ele compara com as figuras de Sara (implícita) e Hagar. As alegorias são caracterizadas por narrações onde as pessoas, coisas e ações tem um significado metafórico e simbólico.
Ao comparar Hagar com o Monte Sinai Paulo está ilustrando lição de fé e liberdade em oposição às obras e escravidão. Veja, não está se invalidando a lei que foi dada no Sinai (este era chamado por monte Agar pelos Árabes), mas sim o uso indevido desta lei. A tentativa humana através da obediência ou obras meritórias humanas obter a salvação, como estavam fazendo os cristãos da Galácia, assim como Abraão juntamente com Hagar buscou o cumprimento da promessa por obras próprias.
Quinta 01 de dezembro
Ismael e Isaque Juntos
A legitimidade de nosso cristianismo, nossa espiritualidade, nossa disposição em aceitar verdades metafísicas, só é confirmada quando se obtém por meio da fé. Nos dias atuais, entre os adventistas
há aqueles que ainda insistem numa salvação por meio da obediência aos mandamentos. O legalismo está ainda presente, claro em divergência direta à salvação obtida pelos méritos de Jesus. Representantes de Ismael constituem uma religião fria e indiferente, onde as coisas são mais importantes que as pessoas, onde a lei é mais importante que Cristo Crucificado.
“Uma religião legalista tem sido considerada uma forma correta de religião para este tempo. Mas é engano. A repreensão de Jesus aos fariseus é aplicável aos que perderam do coração o primeiro amor. Uma religião fria, legalista, jamais pode levar almas a Cristo; pois é destituída de amor, é religião sem Cristo. Quando o jejuar e orar é praticado num espírito de justificação própria, são abomináveis a Deus. A solene assembléia de culto, a rotina de cerimônias religiosas, a humilhação exterior, o sacrifício imposto – tudo proclama ao mundo o testemunho de que o praticante dessas coisas se considera justo. Estas coisas chamam a atenção para o observador de deveres rigorosos, dizendo: Este homem tem direito ao Céu. Mas tudo é engano. As obras não nos comprarão a entrada ao Céu. A grande Oferta que foi feita é ampla para todos os que crêem. O amor de Cristo animará o crente com nova vida. Aquele que bebe da água da fonte da vida, será farto com o novo vinho do reino. A fé em Cristo será o meio pelo qual espírito e motivo retos atuarão no crente, e toda a bondade e espiritualidade procederão daquele que olha para Jesus, autor e consumador de sua fé. Olhai para Deus, e não para os homens. Deus é vosso Pai celestial, disposto a suportar pacientemente vossas fraquezas, perdoá-las e saná-las. “A vida eterna é esta: que Te conheçam, a Ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” João 17:3. Contemplando a Cristo, tornar-vos-eis transformados, até ao ponto de odiardes vosso orgulho anterior, vossa anterior vaidade e presunção, vossa justiça própria e incredulidade. Lançareis para o lado esses pecados, como cargas inúteis, e andareis humilde, mansa e confiantemente perante Deus. Praticareis amor, paciência, afabilidade, bondade, misericórdia e todas as graças que habitam no filho de Deus, e afinal encontrareis um lugar entre os santos e puros.” Mensagens Escolhidas, v, 1, p. 388.A aparição de uma segunda aliança se dá ao fato do homem buscar adquirir benesses espirituais através da lei em qualquer uma das suas formas.
Pr. Clodoaldo Tavares dos Santos
Santa Isabel do Pará – ABA – UNB
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