Comentário Lição da Escola Sabatina 03/12-10/12

Liberdade em Cristo – 03 a 10 de Dezembro

 

            Introdução:

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor”. (Gálatas 5:13).

Primeiro a abolição, nada sem a abolição, tudo pela abolição”. Esta frase abolicionista retrata o desejo de um homem com sonho de liberdade, Ruy Barbosa. Nesta semana a liberdade é apresentada como grande conquista do nosso grande abolicionista, Jesus Cristo. A frase de Ruy Barbosa com certeza reproduz o grande desejo de Deus para a raça humana, a liberdade.

A palavra “liberdade” em gálatas é um termo grego (“eleutheria”) que retratava a prática de alforria de um escravo:

A fraseologia é a de alforria da escravidão, que entre os gregos era efetuada por convenção legal, de acordo com a qual o escravo alforriado era comprado por um deus; visto que o escravo não podia prover o dinheiro, o senhor o pagava na tesouraria do templo na presença do escravo, quando então se tirava um documento que continhas as palavras ‘para a liberdade’. Ninguém mais o poderia escravizar novamente, já que ele era propriedade do deus”.  Dicionário Vine, 757.

Domingo, 04 de dezembro.

Cristo nos Libertou

O grande propósito de Deus que permeia toda a Bíblia se resume neste termo “liberdade”. O profeta Isaias fazendo referência ao trabalho messiânico afirma:

O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos”, (Isaias 61:1).

O escritor do evangelho de Lucas informa que Cristo fez esta leitura na sinagoga e após aplicou o cumprimento ao Seu ministério:

Lucas 4:18-20

“ O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, a pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do SENHOR. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele”.

Liberdade é o lema da vida do Senhor. Tornar real e absoluta essa liberdade foi seu objetivo ao longo de Seu ministério. Paulo usa metáforas para nos ajudar a entender melhor a conquista desta liberdade:

  1. Gálatas 1:3-4 – Cristo é o nosso resgate;
  2. Gálatas 2:16 – Cristo é o nosso justificador;
  3. Gálatas 3:13 – Cristo é o nosso resgatador.

Segunda, 05 de dezembro.

A Natureza da Liberdade Cristã

Paulo escreveu: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. (II Corintios 3:17). Segundo o apóstolo a “liberdade” está presente onde vive o Espírito do Senhor. A liberdade do cristão implica na presença real , absoluta e concreta do Espirito Santo de Deus na vida do homem. Essa liberdade é apresentada na Bíblia em diversos aspectos:

- liberdade do pecado: Rm 8.2, 1 Jo 2.12

- libertação do juízo e da condenação – Rm 8.1

- libertação do mundo e das trevas (cegueira espiritual) – Jo 8.12, Ef 5.8

- livres de Satanás e do seu poder – Tg 4.7

- no caso dos Gálatas, livres da idéia de que a lei era o instrumento de salvação (Gálatas 5:13).

Terça, 06 de dezembro.

As Perigosas Consequências do Legalismo

Paulo está preocupado com pelo menos dois problemas ao advertir os gálatas sobre a liberdade, o Legalismo e a  Libertinagem.           

Legalismo é o uso da lei como base soteriológica. Sintetizando, legalismo significa que a lei deve ser observada para obter a salvação.  Uma religião legalista é fria, indiferente, escravagista e distante. As leis são mais importantes que as pessoas, quando na realidade elas só existem por causa do ser existente. Na lição desta semana é apresentado pelo menos quatro consequências do legalismo:

  1. É tudo ou nada (Gálatas 5:3) – quem pensa que através da obediência da lei em qualquer uma de suas formas pode conquistar a salvação, realmente gosta de desafios impossíveis, por que deve-se guardar tudo. É tudo ou nada;
  2. Rejeição do caminho de Cristo (Gálatas 5:4) – considerando que o legalista estabelece um caminho próprio para a salvação, automaticamente ele está rejeitando o único caminho e a única base da salvação, a graça;
  3. Prejuízo ao crescimento espiritual (Gálatas 5:7) – Ao apontar obras meritórias humanas como meio de salvação, também está se estabelecendo como fonte de crescimento espiritual, por sua vez deixando de lado àquele que é o autor e consumador de nossa fé (Hebreus 12:2);
  4. Finalmente, o legalismo remove a vergonha da cruz introduzindo o orgulho e a presunção humana (Gálatas 5:11).

Quarta, 07 de dezembro.

Liberdade, não Libertinagem

O segundo problema que causou preocupação em Paulo apresentado no capítulo 5 é a libertinagem ou licenciosidade. Como cristãos, não podemos permitir que a liberdade nos enverede pelo caminho da licenciosidade. “A inobservância das regras e padrões da moral aceita, falta de restrição moral, dissolução e lascívia”. Essa é a definição de Licenciosidade formulada por Merrill C. Tenney (Enciclopédia da Bíblia, v.3, p. 919).

Observe que como cristãos três aspectos são importantes para a confirmação da liberdade:

  1. Observar as regras morais existentes;
  2. Estabelecer onde não há estas regras, lógico fazendo uso do nosso referencial teórico, a Santa Bíblia;
  3. A dissolução ou promoção do enfraquecimento ou até mesmo a extinção dos padrões morais, caracterizaria a libertinagem ou licenciosidade presente no indivíduo. Mau uso da liberdade.

A irmã White afirma que:

Verdadeira liberdade e independência são encontradas no serviço de Deus. Este serviço não imporá sobre vós nenhuma restrição que não aumente a vossa felicidade. Obedecendo aos Seus reclamos, encontrareis tal paz, contentamento e prazer que nunca poderíeis desfrutar no caminho de desenfreada licenciosidade e pecado. Estudai então devidamente a natureza da liberdade que desejais. É ela a liberdade dos filhos de Deus, para serem livres em Cristo Jesus? ou chamais liberdade à condescendência egoísta com paixões baixas? Tal liberdade conduz ao mais penoso remorso; é a escravidão mais cruel. Verdadeira independência mental não é obstinação. Ela incentiva os jovens a formar suas próprias opiniões sobre a Palavra de Deus, sem levar em conta o que outros possam dizer ou fazer. Se estiverem em companhia de descrentes, ateus ou incrédulos, ela os incentiva a reconhecer e defender sua crença nas sagradas verdades do evangelho, em oposição às cavilações e aos gracejos de seus perversos companheiros. Se estiverem em presença dos que pensam ser uma virtude alardear as faltas de professos cristãos e zombar então da religião, moralidade e virtude, a verdadeira independência mental os incentivará a mostrar de maneira cortês, mas audaz, que o ridículo é um péssimo substituto para o sólido argumento. Ela os habilitará a olhar, além do cavilador, para aquele que o influencia, o adversário de Deus e do homem, e a resistir-lhe na pessoa de seu agente”.  Fundamentos da Educação Cristã, 88 e 89.

Liberdade sem obediência transforma-se em confusão; obediência sem liberdade leva a escravidão”. William Penn

Quinta, 08 de dezembro.

Cumprindo toda a Lei

O teólogo Warren W. Wiersbie afirma que:

Há um uso devido da Lei e há um uso indevido da Lei (I Timóteo 1:8-11). Sua aplicação devida é revelar o pecado  e levar os homens a perceberem sua necessidade de um Salvador. A aplicação indevida é tentar obter a salvação pela observância da Lei. (Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento 1, p. 919).

Augustus H. Strong mostrando para todos os cristãos que a lei não fora extirpada do compromisso de fé humano afirmou: “A graça assegura o perfeito cumprimento da lei, removendo da mente de Deus os obstáculos ao perdão, e a habilitando o homem a obedecer”.  

Calvino em seu comentário  de Mateus e Lucas assegura que “Não devemos pensar que a vinda de Cristo nos tenha livrado da autoridade da lei, porque ela é a eterna regra de uma vida santa e consagrada e, portanto, tem que ser tão imutável quanto a justiça de Deus”.

Está registrado no livro Lei e Evangelho de Stanley Gundry  página 22 que “A lei moral é obrigatória para todos e para sempre, tanto para pessoas justificadas quanto para os outros, para ser obedecida; e isso, não só com respeito ao seu conteúdo, mas também com respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo no evangelho não a dissolve de forma alguma, mas fortalece essa obrigação”

                        Interessante notar que nenhum dos acima citados são adventistas do sétimo dia, mas concordam com a indissolubilidade da Lei de Deus.

            O apóstolo Paulo não está ensinando que devemos rejeitar a Lei de Deus. Mas sim que viveremos desfrutando dos privilégios da Graça em relação à Lei do Senhor. Observe pelo menos três destes privilégios:

1-    Obedecer a Cristo sem o medo de cair. Não obedeceremos para amá-lo, obedeceremos porque já o amamos;

2-    Obedecemos não por imposição na condição de condenados, mas por livre escolha por sermos livres;

3-    Obedecemos porque temos o Espírito da Vida – Paulo diz que a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, nos livrou da lei do pecado e da morte (Romanos 8:2), é interessante ressaltar que em II Coríntios 3:17 é dito que onde está o Espirito do Senhor ai há liberdade, e nesta condição os frutos do Espírito são evidenciados.

 

Afirmou a irmã White:

“Deus fez Sua lei para todo o Universo. Ele criou o homem, Ele concede as abundantes provisões da natureza, mantém nossa respiração e vida em Sua mão. Devemos reconhecê-Lo e honrar Sua lei perante todos os grandes homens e os poderes terrestres mais elevados”. Review and Herald, 15 de abril de 1890

Quando Paulo se refere ao comportamento negativo em relação à lei e usa o termo “guardar a lei” (Gálatas 5:3). O termo guardar do grego (poiêsai) sugere fazer, observar. Observe que o mesmo dá um direcionamento às realizações humanas, idéia que o apóstolo tenta afastar da vida dos gálatas.

Quando a referência ao comportamento cristão em relação à lei é positivo, Paulo faz uso do termo “cumprir a lei”. Do grego (pleroo) infere cumprimento por maturidade, isso é, crescimento espiritual nos leva ao amadurecimento cristão proporcionando uma vida de obediência.

Conclusão

O escritor anglicano Charles Kingsley afirmou que “há dois tipos de liberdade: uma falsa – na qual o homem é livre para fazer o que gosta; e a verdadeira – na qual o homem é livre para fazer o que é direito”.

Ao ouvir a Satanás o homem perde sua liberdade, ao ouvir a Deus ele tem sua liberdade restabelecida. Claro que com o pecado, o poder desta liberdade, a livre escolha foi diminuída. A liberdade deixou de ser natural. Somente Cristo restabelece-a no ser humano, ou seja, a liberdade é sobrenatural. Ela só é devidamente utilizada quando o Espirito do Senhor está presente.

Pr. Clodoaldo Tavares dos Santos

Santa Isabel – ABA – UNB

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