O EVANGELHO E A IGREJA
“Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé”. Gálatas 6:10
O título da lição desta semana apresenta duas palavras (Evangelho e Igreja), muito conhecida pela nossa sociedade. Isso é notadamente evidenciado pela presença evangélica no mundo dos negócios, política. É um dos setores comerciais que mais cresce no Brasil.
A dicotomia Evangelho / Igreja está intrinsicamente ligada, sem possibilidades de dissolvição. Não há evangelho sem igreja, nem igreja sem evangelho. Se levarmos em consideração que o Evangelho são as boas novas e a Igreja o povo que recebe e deve apresentar essa novidade, veremos que é impossível a separação delas.
Ao observar a relação entre Evangelho e Igreja entende-se melhor esta unidade:
Evangelho do Reino (Mateus 4:23) —————–O Reino será dado aos santos (Igreja) do Altíssimo (Daniel 7:27)
Evangelho da Graça (Atos 20:24)——————–A Igreja foi salva pela Graça (Efésios 2:8)
Evangelho da Paz (Efésios 6:15)——————O castigo que nos (Igreja) traz a Paz (Isaias 53:5)
Evangelho da Glória (I Timóteo 1:11)————Ao levar muitos filhos (Igreja) à Glória (Hebreus 2:10)
Evangelho da vossa (Igreja) Salvação (Efésios 1:13)
Quanto a sua duração o Evangelho é eterno (Apocalipse 14:6), e quem o proclamava era o primeiro anjo ou mensageiro (Igreja), conforme Cristo havia predito em Mateus 28:19 e 20).
Quanto ao proprietário encontramos o Evangelho de Deus (I Tessalonicenses 2:9), Evangelho de Cristo (I Tessalonicenses 3:2). A Igreja também é de propriedade da Divindade (I Pedro 2:9).
As relações acima citadas evidencia uma unidade dicotômica Evangelho / Igreja. Quando alguém “ouve” o evangelho “vê” uma igreja. E quando “vê” uma igreja, “ouve” o evangelho.
Domingo, 18 de dezembro
Restaurando os Caídos
O apóstolo Paulo esboça a praticidade do evangelho aos cristãos da Galácia. Algum homem com paixões como as de vocês e portanto sujeito à queda. For surpreendido, apanhado em flagrante. Falta deveria ser uma palavra mais forte (cons. Rm. 5:15). Um santo que cometeu pecado necessita de restauração como também de perdão divino. Aquele que está qualificado a ajudá-lo é o espiritual, isto é, que possui em um notável grau o fruto do Espírito, especialmente o amor (5:22) pelo irmão em dificuldade e também mansidão (5:23), uma vez que ele também pode um dia cair no mesmo pecado e necessitar da mesma disposição amorosa.
Será que esta tem sido a prática da igreja ante os membros faltosos. O verdadeiro evangelho nos leva para uma disposição restauradora e não punidora. Quando sabemos que há alguém em pecado, oramos ou aconselhamos a este, ou simplesmente procuramos os líderes da igreja para reunir a comissão, para que imediatamente recomende a aplicação de uma disciplina.
Segunda, 19 de dezembro
Cuidado com a Tentação
Arthur Schopenhauer (filósofo alemão) nos traz luz a este tema tão importante da vida cristã, ele afirmou que: “Não nos deixar cair em tentação, é o mesmo que dizer: Não nos deixar ver quem realmente somos”. A tentação cedida desmascara o pecador, principalmente o presunçoso e autossuficiente. “A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe” afirmou o escritor Oscar Wilde, entretanto, a Bíblia mostra que a tentação só pode ser vencida com a resistência (Tiago 4:7).
Orgulho, ignorância e loucura são companheiros constantes. O Senhor é desonrado com o orgulho manifestado entre Seu professo povo. Testimonies, vol. 4, pág. 634.
Grande parte de nossas quedas se dá ao fato da prepotência humana, mas Paulo nos adverte “Aquele que está em pé cuide para que não caia”, I Corintios 10:12. O escritor de Provérbios registra que “O orgulho precede a ruina e a altivez a queda” Provérbios 16:18.
Ellen White reprova diretamente alguns tipos de orgulho:
1. Orgulho Espiritual (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 205);
2. Orgulho Intelectual (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 205);
3. Orgulho Material (O Lar Adventista, 132);
4. Orgulho da Aparência ‘vestuário dispendioso’ (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 474);
5. Orgulho de Posição (Conselhos sobre Mordomia, 160).
A lista não é esgotada, há outros tipos de orgulhos, mas estes possui uma atenção especial, por ser mais frequentes. Claro que em qualquer uma de suas formas, o orgulho é altamente prejudicial para a vida cristã.
Terça, 20 de dezembro
Levando os Fardos dos Outros
Parece haver contradição entre o verso 2 (levar os fardos uns dos outros) e o verso 5 (cada um deve levar sua carga). A ênfase paulina está em tornar o cristão consciente de sua responsabilidade individual (verso 5), como também na responsabilidade coletiva (verso 2). Paulo condena a auto centralização (fardos uns dos outros), como também a auto descentralização (cargas próprias). Precisamos lembrar do próximo, sem jamais esquecer de nós mesmos.
Ellen White comenta a respeito deste assunto:
“Precisamos saber qual é o jugo que Cristo nos ordena levar e os fardos que temos de carregar neste tempo, e procurar constantemente, com bondade e amor, mostrar a nosso irmão que temos interesse nele, e introduzir o amor em nossas ações dia a dia. Este é o ouro provado no fogo – fé e amor. Se vemos alguém em erro nalgum ponto, não devemos passar adiante sem dizer nada, mas compete-nos procurar transportá-lo das trevas para a luz. Precisamos defender os interesses uns dos outros como fazemos com os nossos próprios. Não avaliamos a alma como devemos. Cumpre que estejamos unidos numa grande irmandade e encontrar-nos em tal condição que possamos suportar as faltas uns dos outros com toda longanimidade e mansidão, e procurar levar as cargas uns dos outros”. Manuscrito 13, 1886.
Quarta, 21 de dezembro
A lei de Cristo
Observemos que interessante, levar os fardos uns dos outros é cumprir a lei de Cristo. Uma atitude altruísta identifica um cumprimento. O evangelho de João pode nos ajudar a entender isto. Em João 14:9 “Quem vê a mim, vê o Pai”, no verso 13 diz que “O Pai é glorificado no Filho” e também pelos discípulos ao darem frutos (João 15:8). Obedecer a Cristo é permanecer em Seu amor, como Ele obedeceu ao Pai e permaneceu em Deus.
Ao ser estabelecido as relações acima citado, vê-se que Jesus Cristo reproduziu (glorificou) de uma maneira mais perfeita o trabalho e características do Pai. Ao se referir à lei de Cristo, com certeza Paulo não está fazendo menção a uma nova lei bíblica, mas sim lançando luz a uma lei já existente. Lei esta fundamentada no amor conforme está registrado no Antigo e Novo Testamento:
1. Levítico 19:18 – amar ao próximo – Mateus 22:39;
2. Deuteronômio 6:5 – amar o Senhor de todo o seu coração – Mateus 22:37.
Querer estabelecer um novo ensinamento além do que é apresentado nas Escrituras a respeito da Lei de Cristo em Gálatas, seria no mínimo segregar a própria Bíblia e seus ensinamento, como se não houvesse coesão textual.
Para os mestres do judaísmo, o amor ao próximo provém do amor a Deus, que criou o homem à sua imagem e semelhança – por essa razão, não se pode amar a Deus sem amar a sua criatura; esse é o verdadeiro motivo do amor ao próximo e é “um princípio grande e geral na lei” (Rabbi Akiba, comentários rabínicos).
Quinta, 22 de dezembro
Semear e Colher
Muitos se escusam da obra da religião, mesmo fingindo participar desta e professá-la. Podem ser capazes de imporem-se aos demais, porém, estarão se enganado se pensam que podem enganar a Deus, que conhece os seus corações e as suas atitudes. E como Ele não pode ser enganado, ninguém será capaz de zombar dEle. O nosso tempo é um tempo de semeadura; no outro mundo segaremos aquilo que semearmos agora.
Há dois tipos de semeadura; uma para a carne e outra para o Espírito. Assim será a prestação de contas no porvir. Aqueles que levam uma vida sexual pecaminosa e uma vida carnal, não deverão esperar outro fruto deste caminho que não seja a miséria e a fruto. Porém, aqueles que, sob a direção e o poder do Espírito Santo, levam uma vida de fé em Cristo e são abundantes na graça cristã, colherão do Espírito Santo a vida eterna.
No Comentário de Moody há a seguinte afirmação:
“Um cristão egoísta semeia para a sua própria carne, gastando seus recursos para gratificação de seus próprios desejos pessoais. Ele só pode esperar ceifar a corrupção. Aquilo que poderia ter produzido recompensa pelo investimento no trabalho do Senhor não resultará em nada más que uma massa deteriorada, uma perda completa em termos de eternidade. Por outro lado, correspondendo ao Espírito em amor e bondade, e participando alegremente na expansão do Evangelho com o sustento de obreiros cristãos, os crentes estarão aumentando os lucros ao capital da vida eterna”.
Por fim meus irmãos em Cristo, tomemos nota de uma frase de um blog chamado de príncipe estelar: “Pense bem antes de semear, pois depois de germinar… o que você plantou nascerá”. Se nós que compomos a igreja de Deus semearmos a semente do evangelho no coração, ceifaremos o fruto do Espírito diante de uma sociedade árida e improdutiva de preceitos morais.
Pr. Clodoaldo Tavares dos Santos
Capelão do Colégio Adventista – ABA – UNB
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muito bom este comentário………